Hoje não podia ser dia de trabalho. Precisávamos de tratar de algumas burocracias, como mudar a luz para o nosso nome e ir aos correios arranjar um apartado. Mais algumas coisas pendentes dos nossos trabalhos. Por isso aproveitámos a manhã para irmos com a minha mãe conhecer a casa e o terreno. Aproveitar a folga para nos dar uma aula de botânica, sobretudo! : )
Foi bom para percebermos que não somos os únicos doidos a gostar daquele isolamento. Apanhámos mais uns cachos de uvas que escaparam à vindima dos antigos donos e ainda demos com um marmeleiro ainda com bastante fruto! Terra grande, estes dias têm sido tão cheios que ainda não deu para conhecer tudo. Depois de umas valentes voltas acabámos a colher marmelos. A terra tudo dá.
Foi uma manhã boa, passada com serenidade e projectos. Sonhos a saltar da almofada.
E já a vir embora conhecemos a primeira vizinha! Numa conversa muito agradável, de quase meia hora, mostrou a felicidade de ter um casalinho novo por aquelas bandas. A Dona Maria da Graça, do alto dos seus 83 anos ("quase 84!") orgulhosa de ter tirado a carta para lá dos cinquenta anos e de ainda hoje conduzir um jipe, orgulhosa de ter resistido a todas as mudanças da vida, entre Angola e Portugal, é uma mulher cheia de garra. Atrás dela um cãozito muito meigo e duas galinhas. Todos em harmonia. Boa vizinhança, portanto. Por ela tínhamos vindo carregados de pimentos e tangerinas, mas ficou para a próxima.

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