Tuesday, November 1, 2016

Casa Poupança — A História

O momento em que se decide deixar de arrendar e dar o grande passo de comprar casa é histórico. Não tem nada de linear. Há um sem número de hipóteses a ter em conta: com empréstimo, sem empréstimo, apartamento, vivenda, casa de madeira ou até contentor.

As nossas duas cabeças (e as quatro mãos) estiveram — quase — sempre em sintonia. Sabíamos que não queríamos nunca um apartamento. A coragem da decisão de comprar veio justamente por nos sentirmos a viver, na altura, numa caixa de fósforos prontos a serem riscados. Vivenda também estava fora de questão: sabíamos que teria de ser algo pequeno e rústico. Queríamos um abrigo, era isso.
Começámos por decidir comprar um terreno para instalar ou um contentor ou uma casa de madeira, depois decidiríamos consoante o orçamento. Em Março começámos, devagar, as pesquisas. Agendámos visitas, desiludimo-nos, iludimo-nos também, descobrimos dificuldades. Pusemos de parte as buscas, por cansaço, voltámos com força no verão. O nosso contrato de arrendamento estava a terminar e não queríamos renovar. Era a altura certa de assumir realmente a decisão.
Foi um Verão sobre rodas, a conhecer lugarejos que nem adivinhámos existirem. A fazer contas e a pensar em créditos, depois a por a ideia dos créditos de parte. Uma roda viva de novidades, o eterno retorno das desilusões.

Nada nos parecia ser o nosso lugar. Descobrimo-lo dia 8 de Agosto.  Perfeito! No meio do nada, num caminho que subimos aos solavancos no jipe do mediador da compra, que gesticulava e procurava coisas no porta luvas e falava — "Ali mora uma lituanesa, ali um holandês!" — enquanto nós éramos sacudidos de um lado para o outro constantemente. Parece pindérico dizer que mal lá chegámos percebemos ambos que era ali. Mas foi assim, com todo o pindérico da coisa. Não era um simples terreno onde íamos colocar um contentor ou uma casa de madeira, como estava quase decidido. Era um terreno já com um casa de pedra, telhado impecável e muito potencial por dentro. O terreno de quase 4000m2 também nos agarrou: todo por patamares, o primeiro com a casa, outro com oliveiras, outro com árvores de fruto e um poço que era mais cisterna, um último só com vinha.
Acertámos logo ali alguns detalhes, quinze dias depois tínhamos já um contrato de promessa de compra e venda assinado.

Os problemas vieram depois: contratos de exclusividade que não eram exclusivos de nada, porque eram contratos a mais e exclusividade a menos. O prazo a passar, a ausência deles na 1ª escritura. E quando já tínhamos recomeçado nova pesquisa, novas marcações de visitas a novos sítios, acabou por se resolver isso.

Dia 31 de Outubro, dia das Bruxas e quase três meses depois de a conhecermos, comprámos a nossa casa. A quatro mãos vamos tentar fazer dela o ninho perfeito, com o mínimo de gastos possível. E vamos deixar aqui o registo dos dias, até para resgatar a memória, que é fugidia.


No comments:

Post a Comment