Monday, February 13, 2017

Dia 37 — O Início da Porta

13/02/17

Hoje foi dia de começar a tirar pedras. As paredes são muito largas — e ainda bem. As pedras vão saindo e a abertura vai-se fazendo, devagar, como já estamos habituados. Aqui está a primeira abertura, vista de cada um dos lados.




Dia 36 — Que se Veja a Pedra!

10/02/17

Vamos ter de fazer uma abertura que leve da sala para a parte dos quartos e casa de banho. Por isso importa delimitar o espaço, antes de mais, para depois começar, devagar a retirar pedras e a dar nova estrutura. Foi o trabalho de hoje.





Mais tarde esta parede vai ficar toda de pedra, para dar mais acolhimento à casa. Sim, se escolhemos uma casa de pedra não foi para ficar com ela escondida! Por agora dá-nos jeito que asim esteja, para não nos perdermos na delimitação.

E, ao fim de tudo isto... a neve veio dar as boas vindas deste inverno.


Dia 35 — A Adega já Era

06/02/17

O trabalho não me tem dado tempo para as obras. Depois de uma pausa, o TóPê lá foi.
O que restava da bancada onde antes se colocavam as pipas de vinho tinha de sair. E saiu mesmo! O que ficou da divisão já nada lembra de adega e pode começar a ser cozinha.
Para além disso, a tijoleira do chão começou já a ser retirada.







Sunday, January 29, 2017

Dia 34 — Às vezes não rende tanto

24/01/17

Acordámos cansados do dia anterior e lá fomos. Tínhamos a bancada para terminar. Mas a vontade (sobretudo a minha) cada vez encolhia mais. Mas lá fomos trabalhando.




Tenho de estar sempre a dizer ao TóPê para tirar fotografias e quando não digo é isto, parece que não fiz rigorosamente nada! :)
Almoçámos uma lasanha daquelas pré-cozinhas que nos caiu tão mal que voltámos para casa ainda o sol estava alto, enjoados.

Não cumprimos o que nos tínhamos proposto, mas os dias não podem correr todos a 100%! 

Dia 33 — Criar Passagem

23/01/17

Tínhamos dois objetivos vincados. O primeiro: fazer a abertura da sala para o que será a cozinha (antiga adega). O segundo: começar a destruir uma bancada de cimento, onde antigamente eram depositadas as pipas de vinho. 
Pegámos na ombreira de uma das portas do que já foram quartos e usámos como bitola para nos orientarmos na medida. Desenhámos com giz (há tanto tempo não pagávamos num pau de giz, até apeteceu desenhar uma macaca lá fora, no alpendre!) e enquanto o TóPê ia delineando a porta com o martelo eléctrico eu comecei a abrir fendas na bancada.




E o trabalho foi avançando, devagarinho.




Depois disto foi tempo de, juntos, tirarmos um tronco que estava ali pendurado, preso por ferros e arames. Era uma coisa que já andávamos para fazer desde que começámos estas coisas, porque era simples e só precisava de atenção e quatro braços para não correr riscos. Mas fomos deixando passar.




Depois deste intervalinho decidimos inverter os papéis. Eu farto-me num instante do martelo eléctrico. No início achava que destruía tudo num instante. Depois, à medida que o fui usando, percebi que não era assim tão mágico e o peso e o barulho acabam por me cansar. Por isso fui para a porta, com maços e marretas e o TóPê foi para a bancada, que já tinha tijolo à mostra (não imaginávamos o que teria por baixo daquela cama tão grande de cimento). Descobrimos depois que por baixo era só pedras e entulho, o que facilitou um bocadinho.



Eram quase quatro da tarde quando nos lembrámos que não tínhamos almoçado. Já nos sentíamos fracos. Para retomar forças, nada melhor que uma bela feijoada. A nossa primeira refeição de faca e garfo! (Numa mesa posta muito, muito à pressa, eheheh)


Depois do almoço o trabalho continuou a render. E foi assim que nos despedimos do dia de trabalho.





Thursday, January 26, 2017

Quatro Mãos mas Tantos Olhos!!!!


Só demos a conhecer este blogue aos familiares mais próximos e a dois ou três amigos. Não estávamos nada à espera de chegar logo de manhã aqui e vermos um número tão certinho! :) Tínhamos de registar o momento. 

Obrigada por acompanharem esta aventura! Beijos e sorrisos nossos.


Thursday, January 19, 2017

Dia 32 — Despertar na Serra

18/01/17

A noite não foi fácil. Os sacos-cama prometiam estar preparados para temperaturas negativas, mas tudo engano de publicidade! Por isso durante a noite fomos acordando para vestir mais roupa e, pouco passava das 4 da manhã, houve mesmo a necessidade de uma casa de banho, porque o serão tinha sido regado a chá. Ainda não temos os produtos para a sanita química (por aqui não se encontram à venda), por isso a solução foi mesmo ir à rua. O frio lá de fora só foi superado pelo magnífico céu, mas não deu para o contemplar por muito tempo. Uma corridinha lá fora e voltar para a "cama" o mais rápido possível. O sono não foi constante durante a noite, mas a manhã foi longa para nós. Quando nos atrevemos a olhar para as horas, a julgar que seriam umas 9 da manhã era.... meio-dia! Dormimos a manhã toda no mais absoluto silêncio!
Saltar rápido para a rua para fazer render o dia. Lavar a cara com água gelada e siga! O trabalho manteve-se o mesmo, e praticamente sem fotos, que o entusiasmo esquece.

Fica um antes e um depois do salão de cabeleireiro.



Depois da vinha (382 videiras no total, com alguma margem de erro, vá lá!) e enquanto o TóPê fazia uma queimada entretive-me a cortar uns carvalhos que nasciam mesmo na fronteira entre o terreno e o caminho. Ainda não estão todos, mas o dia começou tarde! Com tempo tratar-se-á do resto.


Ah, e já temos a areia e o cimento, da próxima podemos recomeçar dentro de casa, agora que o terreno já ficou um bocadinho melhor. 


Tempo de voltar para o conforto de uma casa com casa de banho, água quentinha e fogão! O corpo pedia mimos.

Dia 31 — A Grande Noite!

17/01/17

Saímos com o carro cheio. Objetivo: passar lá a primeira noite, numa espécie de acantonamento. Mal chegámos dedicamo-nos logo a limpar a casa. Depois das paredes terem saído estava tudo cheio daquele pó fininho, que não sai com meiguice. Mas queríamos dormir com o mínimo de conforto e bem estar, por isso pusemos mãos à obra: limpar uma casa em obras, não é todos os dias! :)



Enquanto o chão secava fomos plantar mais uma amendoeira. Lemos que é importante uma amendoeira ter outra por perto e não perdemos tempo. E tanto se fala na vaga de frio polar e nós ali, a sentirmo-nos em plena primavera! O sol quando nasce não é, definitivamente, para todos!



Entretanto fomos para as nossas lides na terra. O TóPê continua a tratar das árvores maiores e a limpar os cômaros, cheios de raízes que foram ganhando espaço. Eu continuo na interminável vinha. O trabalho pode parecer sempre igual, mas não é, de todo. Cada videira me merece atenção, porque cada uma escolheu um percurso diferente e tento entendê-las sem fazer grandes asneiras. Acabámos o dia com bastantes montes de lenha e já a contar 330 videiras prontas. Hora — não de fazer a viagem do costume — mas de regressar ao palácio e tratar do jantar à lareira.




Boa noite! 

Sunday, January 15, 2017

Dia 30 — Conhecer as Tradições ao Redor

15/01/17

Começar um projecto como este nosso não é só por mãos à obra e isolarmo-nos do resto. Também passa por mudar de ares e de gentes. E para conhecer estas novas gentes nada melhor do que irmos a uma festa de uma das aldeias mais próximas. Recordamos que estamos no meio de um triângulo: Alpedrinha, Vale de Prazeres e Póvoa da Atalia. E foi mesmo à Póvoa da Atalia que fomos hoje, conhecer e participar da Festa das Papas. Uma tradição que se mantém, ano após ano, sem outro intuito que não seja o agradecimento e a partilha, mas que, até hoje, não conhecia. Uma festa à moda antiga, modesta e bonita.

«Reza a lenda que, em tempos remotos, a região foi vítima de uma praga de gafanhotos. A população da Póvoa de Atalaia, devota de São Sebastião, tratou de fazer uma promessa ao padroeiro para que poupasse a aldeia e protegesse as colheitas, constituídas maioritariamente por cereais. Em troca, iriam oferecer papas de carolo e coscoréis, feitos com o que resultasse das colheitas salvas. Conta-se também que todas as terras vizinhas sucumbiram à praga, mas que a Póvoa de Atalaia foi poupada, sendo que os pequenos predadores foram morrer, “por milagre”, à porta da capela de São Sebastião situada na aldeia. Restou então aos seus habitantes cumprirem a promessa, o que acontece ao terceiro domingo de janeiro, desde que há memória.»

Achámos a história por trás da tradição bastante gira e lá fomos. Missa, procissão com as papas, benção das papas e distribuição pela comunidade. Tudo muito simples, mas com alegria.





Como terminou tudo ainda bastante cedo (às 15:15 já não havia nada de novo) decidimos ir ainda um bocadinho ao terreno, fazer valer a viagem não só com lazer mas com um bocadinho de trabalho também. Pouco, afinal de contas é domingo!
Eu voltei para a vinha e o Pedro, depois de cortar alguma lenha das podas, começou a tirar os rebentos das oliveiras, para não sufocarem a árvore nem lhe roubarem a água e os nutrientes (isto sou eu a tentar mostrar que sei, mas é só faz-de-conta!).



E para me redimir, hoje só o Pedro é que teve direito a foto, já anoitecia quando recolhia os rebentos das oliveiras. Quanto à vinha, entretive-me com alguns rebentos que andavam loucos enrolados no marmeleiro, e podei poucas. Mas já estão 260. 




Dia 29 — Cortar Tudo a Eito!

14/01/17

Diz o Borda d'Água, esse verdadeiro almanaque com reportório útil a toda a gente, que a poda no minguante é favorável. Mais uma vez, os novatos acertaram em cheio, por mero acaso! A sorte protege os audazes.

Bem, poucas fotos, muito trabalho e um frio terrível. Partilho figuras bonitas para uma boa gargalhada.




210 videiras já estão. Já não falta tudo!!! E temos a curiosidade de saber quantas serão. No início dizíamos: "devemos ter umas 150, mais ou menos".

O TóPê continuou a tratar das árvores, mas eu tão concentrada voltei a falhar no trabalho de reportagem fotográfica.

Dia 28 — A Lavoura de Janeiro, Não a Troques por Dinheiro

12/01/17
Apesar do frio, é tempo de aproveitar enquanto não chove, para tratar da terra, deixar tudo a postos para o despertar que virá com a primavera. Muitas árvores para ser podadas, algumas mesmo para sair (temos imensas figueiras e uma estava totalmente colada à casa, já a deixar humidade nas paredes e a sujar o telhado todo, enquanto desviava telhas). Essa foi a parte destinada ao TóPê. 

Eu peguei num serrote e numa tesoura de poda e fui ter com as videiras. Cheia de medo, no início, a sentir-me a mutilá-las por completo. Depois como uma cabeleireira estagiária, a pensar bem cada corte, a perceber o caminho certo que elas deviam tomar. Toda a gente me explicava mas de uma maneira muito vaga: "sempre a atrasar". Mas atrasar para onde? Onde é que é o "começo"? Vi vídeos  e li sobre a poda na internet, mas continuava confusa e com medo. Temos algumas videiras já bem desenvolvidas, com rebentos em vários lados e descobrir para onde era o "atrasar" não estava fácil. Mas depois das primeiras vinte o caso compôs-se. 

Não temos fotos das árvores podadas / cortadas porque eu estava demasiado concentrada justamente na vinha. Mas o TóPê veio ver-me, fotografar o meu trabalho (e levar o lanchinho).




Elas estão muito desprezadas, mas esperemos que com o nosso carinho venham a dar muito fruto no seu tempo.




Tuesday, January 10, 2017

Dia 27 — Os Frutos virão Depois

10/01/17

Dia de Plantações!
Tudo pronto, folhas da sobreira apanhadas para servirem de fertilizante a terra e voilá!




1. O Limoeiro: deve estar junto a uma parede e de forma a não ver a serra. Não foi fácil, mas foi o único cantinho que nos pareceu corresponder às exigências do citrino. Se queremos que ele nos sirva temos de o servir primeiro. 





2. Um Azevinho que tínhamos há pouco mais de um ano, desde a passagem de ano de 2015 para 2016. Foi em Góis num turismo rural que tinha lá um azevinho para nos oferecer. Finalmente está em solo firme!






3. A Clementina. Começa a procura de um pedaço de terra que fique minimamente longe das oliveiras. Queremos que a altura da apanha seja fácil e também não queremos as árvores a estorvarem-se.





4. A Laranjeira da Baía. Se for tão doce como as que temos comido da nossa vizinha, então estamos mesmo no Algarve da Beira Baixa!





5. A Amendoeira. A árvore que tem uma flor tão bonita e um fruto tão caro, mas tão saudável.




6. A Cerejeira. Gardunha que é Gardunha tem de ter, pelo menos, uma cerejeira! Para o ano plantamos mais! (Andava de um lado para o outro a arranjar água e folhas para ver se me safava de cavar o buraco, mas não me escapei!)




7. Tínhamos por ali um Pessegueiro caído. Devia estar mesmo à beirinha do cômaro e caiu para o outro patamar, mesmo para cima da vinha. Tínhamos de o reanimar!




(NOTA: foi tudo no mesmo dia, apesar das roupas variarem bastante. Tivemos as 4 estações com diferença de horas, houve mesmo alturas que só apetecia uma manga curta, mas com o entardecer o frio da manhã voltou com mais força ainda!)

Ainda por ali andámos a podar algumas árvores, e fomos embora com este céu: