15/01/17
Começar um projecto como este nosso não é só por mãos à obra e isolarmo-nos do resto. Também passa por mudar de ares e de gentes. E para conhecer estas novas gentes nada melhor do que irmos a uma festa de uma das aldeias mais próximas. Recordamos que estamos no meio de um triângulo: Alpedrinha, Vale de Prazeres e Póvoa da Atalia. E foi mesmo à Póvoa da Atalia que fomos hoje, conhecer e participar da Festa das Papas. Uma tradição que se mantém, ano após ano, sem outro intuito que não seja o agradecimento e a partilha, mas que, até hoje, não conhecia. Uma festa à moda antiga, modesta e bonita.
«Reza a lenda que, em tempos remotos, a região foi vítima de uma praga de gafanhotos. A população da Póvoa de Atalaia, devota de São Sebastião, tratou de fazer uma promessa ao padroeiro para que poupasse a aldeia e protegesse as colheitas, constituídas maioritariamente por cereais. Em troca, iriam oferecer papas de carolo e coscoréis, feitos com o que resultasse das colheitas salvas. Conta-se também que todas as terras vizinhas sucumbiram à praga, mas que a Póvoa de Atalaia foi poupada, sendo que os pequenos predadores foram morrer, “por milagre”, à porta da capela de São Sebastião situada na aldeia. Restou então aos seus habitantes cumprirem a promessa, o que acontece ao terceiro domingo de janeiro, desde que há memória.»
Achámos a história por trás da tradição bastante gira e lá fomos. Missa, procissão com as papas, benção das papas e distribuição pela comunidade. Tudo muito simples, mas com alegria.



Como terminou tudo ainda bastante cedo (às 15:15 já não havia nada de novo) decidimos ir ainda um bocadinho ao terreno, fazer valer a viagem não só com lazer mas com um bocadinho de trabalho também. Pouco, afinal de contas é domingo!
Eu voltei para a vinha e o Pedro, depois de cortar alguma lenha das podas, começou a tirar os rebentos das oliveiras, para não sufocarem a árvore nem lhe roubarem a água e os nutrientes (isto sou eu a tentar mostrar que sei, mas é só faz-de-conta!).
E para me redimir, hoje só o Pedro é que teve direito a foto, já anoitecia quando recolhia os rebentos das oliveiras. Quanto à vinha, entretive-me com alguns rebentos que andavam loucos enrolados no marmeleiro, e podei poucas. Mas já estão 260.