Thursday, December 22, 2016

Dia 19 — Exterminadores Implacáveis

A nossa prenda de Natal veio antecipada. Comprámo-la juntos e estávamos ansiosos para a experimentar: um martelo eléctrico! Confesso que estava cheia de medo: de ser perigoso, de não o aguentar, de partir mais do que queria... de tudo e mais alguma coisa! Fui de mansinho e afeiçoei-me, no final! Para o TóPê foi simples, com toda a familiaridade!



Entretanto voltámos ao piso, que está mesmo quase, quase no fim. O martelo também ajudou para algumas pedras que até agora tinham sido partidas com a picareta. Já falta mesmo pouco!


Uma foto da parede para a porta dava outra visão do espaço... fica para a próxima! Mas parece tudo mais amplo. 

E ainda tivemos tempo de fazer um upgrade no nosso presépio! Comprámos no último fim de semana mais umas imagens e hoje, com mais um bocadinho de musgo, demos por concluídas as decorações natalícias numa casa em obras, com direito a musgo e azevinho! :)


A virmos embora, neste primeiro dia de inverno, fomos brindados com este pôr do sol magnífico, que nos faz ter ainda mais vontade de continuar.


Um Feliz e Santo Natal para Todos!

Wednesday, December 21, 2016

Dia 17 e Dia 18 — A Colheita!

Na semana passada, ainda que bastante atribulados com outros trabalhos, guardámos duas tardes para apanhar a azeitona. Ao invés dos típicos panais verdes e enormes, o que tínhamos era um lençol velho, que até tinha alguns rasgos por onde as azeitonas se escapavam. 


Mas a tarefa ia sendo feita, com algumas gargalhadas e outros suspiros. Este foi o primeiro balde colhido!

A dada altura a vizinha ali dos arredores, a dona Graça, depois de nos ouvir por ali à conversa foi oferecer-nos laranjas e tangerinas. Lá deixei o TóPê em cima de uma oliveira e fui com a senhora colher a fruta e dar dois dedos de conversa. É bom ter vizinhos assim: rijos como a terra e o sol (a senhora tem 84 anos e no ano passado colheu — sozinha — 1270 kgs de azeitona), mas que nos dão espaço e tempo para nos conhecermos melhor, sem pressas.


Lá vim com um saco bem cheio e um cheirinho a citrinos maravilhoso. De volta ao trabalho! No final das duas tardes o resultado não foi nada de extraordinário, mas a nós deixou-nos de coração cheio!


Saídos dali fomos direitos ao lagar. Não fazíamos ideia de como funcionava, mas tivemos a sorte de estar lá um rapazito novo, trabalhador sazonal, com quem nos metemos e nos explicou tudo da melhor forma possível. Para troca na hora 12 quilos de azeitonas fazem 1 litro de azeite. Se formos buscar mais tarde 9 kgs fazem o litro. Ainda compensa bastante, para grandes quantidades, a espera.


Como nós só tínhamos 60 kgs ("Então mas são só estas duas sacas???") trouxemos logo um garrafão cheio.

Pode ser pouco, mas fez-nos felizes e este Natal vai ser regado com um sabor diferente, fruto do nosso trabalho e da nossa terra. Acabámos por fazer miminhos para amigos e familiares, também para que nos tenham presentes na consoada!


Sunday, December 11, 2016

O Primeiro Vídeo!

Ontem o TóPê foi sozinho, já vos disse. E fez-me uma surpresa bonita, que chegou mesmo agora! Já várias vezes tínhamos dito que devíamos fazer algumas filmagens, mas acabamos por nunca nos lembrar. Aqui está o primeiro vídeo de lá!


Dia 16 — Preparar o Natal!

O dia hoje esteve maravilhoso. O sol pedia passeio. Nada melhor do que ir pelo meio do pinhal com o objetivo de apanhar musgo para o presépio. O musgo perfeito, parece um cobertor! (Ainda trouxemos um bom bocado para outros presépios.)
Só temos a sagrada família mas este ano ainda vamos comprar o burro e a vaquinha. Com o passar dos anos vai ficar composto! Mas fazia todo o sentido, mesmo com a casa ainda velha e em obras, dar-lhe um espírito de natal.





Tempo de trabalho duro, depois! O piso do anexo / estábulo continua a ser a nossa miragem: parece que é já ali, mas nunca chega! :) Cavávamos mas íamos também apanhando as folhas da sobreira centenária que temos por ali. Era um mar de folhas! Queimámos montes e montes, mas olhando à volta a diferença não é assim tanta. Foi um dia bom, bonito.

Saturday, December 10, 2016

Dia 15 — TóPê sozinho

Sábado tive trabalho mas o dia estava tão apetitoso que o TóPê decidiu aproveitar. E trabalhou bem!!! Fotografou a vinha, as oliveiras, as redondezas... fez um ótimo registo agrónomo! ;) 
Não, não... estou a brincar! Para além de tudo isso deu um grande avanço dentro do anexo. Costumamos trabalhar muito em equipa nesta parte: ele cava, eu encho o carro de mão e despejo, o que sempre dá para dividir as dores de costas e atenuar um bocadinho o esforço individual. Mas hoje foi um campeão!



Num cantinho já estamos a tocar a parede de fundo. Já falta mesmo pouco. O pé-direito aumentou imenso e como está a ficar tudo com menos altos e baixos — e mais limpo — a área parece bastante maior. Já só falta um danoninho!

Dia 14 — Fogo e Marreta

Não estivemos de férias. Mas primeiro, houve semanas de chuva intensa, e não se justificava a viagem diária para o pouco trabalho que íamos poder fazer. Depois o tempo melhorou, mas os compromissos de trabalho não deixaram: prazos e formações para por em dia. Sexta feira voltámos!
A primeira coisa que fizemos foi dar uma voltinha pelo pinhal que circunda o nosso terreno. Descobrimos uma casa em ruínas, mesmo, mesmo pertinho de nós, mas escondido pela vegetação.


Passeámos por ali, descobrimos sítios com musgo fantástico para o presépio e fomos depois por as mãos à obra. Começámos por mais uma queimada (já lhes perdemos a conta, mas ainda há tanto que vai secando e fica pronto para queimar!).


Percebemos que o galinheiro que estava atrás do antigo estábulo / anexo tinha de sair o quanto antes. O telhado não estava bem posto e a humidade das últimas semanas já se tinha entranhado pelas paredes. Vai ter de ser rebocada antes do que pensávamos. Ahaha, deitar abaixo: trabalho para mim! :)
O TóPê tirou o telhado e foi tratar do piso dentro do anexo. Eu fiquei sozinha com a marreta!






O trabalho dentro do estábulo está quase a terminar. É o objetivo mais próximo!

Sunday, November 20, 2016

Dia 13 — Dentro do Tanque

Previa-se a chuvada de hoje e decidimos ontem ir apanhar a (pouca) azeitona que temos este ano. Mas chegámos lá e lembrámo-nos dos 100 metros de tubo que tínhamos tirado do furo quando foram por o balão. O tubo está bom mas há tanto tempo dentro da terra e sem puxar água estava cheio de lodo, com partes completamente pastosas e negras. Importava limpar para depois ser aproveitado na altura da canalização.

Por isso, e para aproveitar o sol, foi dia de saltar para dentro do tanque e tratar daqueles infindáveis cem metros! Enquanto isso, o Pedro fazia mais uma queimada, as coisas que fomos cortando já começam a secar, ardeu tudo num instante.




Foi tempo depois de tentar esfregar o tanque (sem grandes efeitos) e começar a enchê-lo. Agora, a água da chuva que dê o seu contributo, também!



Friday, November 18, 2016

Dia 12 — "A Água não Empobrece, nem Envelhece"

Dia de ver água jorrar!!!

Furo já havia, mas não sabíamos nem a profundidade dele, nem o estado da bomba, nem sequer se havia água, porque fazia curto circuito e não dava mais sinal de vida.




Depois de tudo devidamente montado, foi ouvir a água cantar! "Água que não soa não é boa", diz o ditado.

E já que temos de encher o tanque, para a água limpar o suficiente, decidimos esvaziar e limpar o tanque, para depois o enchermos com a água nova.
Decisão corajosa! As fotos descrevem o lodo que havia no fundo, mas não descrevem o cheiro nauseabundo. Lá no fundo havia vasos, meias, panos, esfregões, ferros... tudo completamente invisível pelas águas paradas há tanto tempo.
Um lá dentro, outro cá fora, fizemos uma primeira limpeza. Contamos com as chuvas que se avizinham para dar uma mãozinha e para depois o lavar melhor e encher.





"Água corrente não mata gente."
"A água rega, o sol cria."
"Água de serra, sombra de pedra."


Tuesday, November 15, 2016

Fôlego

O Trabalho Constrói o Mundo

«Há milhares de anos que os rouxinóis fazem o ninho da mesma maneira. Nada mudou. E, quando um rouxinol acaba de fazer o ninho, pára, não o enfeita.
Os homens, esses, habitaram primeiro as cavernas e a seguir habitaram em palhotas. Pintaram desenhos nos muros das cavernas, lembraram-se de aproveitar os ramos das árvores para fazer cabanas. Agora constroem centenas de casas diferentes, casas quadradas, casas retangulares, algumas muito altas, outras pequenas, casas de madeira, de ferro, de vidro... O homem não constrói as mesmas casas desde o início do mundo. Não trabalha apenas para conseguir um sítio onde se abrigar da chuva, do frio e dormir em paz. Trabalha para decorar as casas, para que fiquem mais bonitas, mais agradáveis, mais sólidas, maiores.
(…)
O homem trabalha e transforma o mundo. É evidente que, quando os adultos vão trabalhar de manhã, não pensamos que saem para construir o mundo! Mas, se um homem das cavernas voltasse hoje à Terra, confirmaria que o trabalho dos homens mudou completamente o mundo.»

Brigitte Labbé e Michel Puech, O Trabalho e o Dinheiro


Dia 11 — Engordou tudo esta noite!

Hoje o dia foi monótono, sem novidades. O trabalho continua, mas o resultado ainda não aparece. Todos os utensílios duplicaram em peso, não sabemos mesmo o que aconteceu. Ou isso ou o corpo começa a dar sinal de cansaço. Estamos no trabalho menos criativo e mais exigente, mas esperamos que por pouco tempo!



O nosso bólide continua sem um risco e cheio de balanço!


Monday, November 14, 2016

Dia 10 — A Destruição

Depois da pausa de domingo retomámos o trabalho com energia. A ordem de trabalhos a mesma: antigo estábulo nas suas duas facções — chão e pia.
O dia estava ventoso e as portas têm de estar abertas para termos luz lá dentro, senão só uma gambiarra é que nos vale, mas não ilumina tudo. Por isso tínhamos também de nos precaver do vento que atirava as pedras que destruíamos contra tudo, até nós.




Aproveitámos o entulho para espalhar em mais umas zonas difíceis do caminho. 

Entretanto o dia foi passando, e o trabalho foi aparecendo. Devagar, mas vai aparecendo.




Amanhã há mais!


Dia 9 — Pinhas para três invernos

Sábado não podíamos continuar a fazer só o mesmo trabalho de cavar o chão senão esmorecíamos. E como trabalho não falta arranjámos nova ocupação, para ir alternando. Uma antiga pia (para pisar as uvas?), no canto do estábulo / anexo, estava cheia de palha, pinhas, lenha, sacos de ração vazios e até carcaças de ratos. 

Um lá dentro e outro cá fora, esvaziámos tudo num instante e fizemos mais uma queimada para fazer desaparecer aquela palha toda e mais ervas, que estão sempre a aparecer e a ser arrancadas. Enchemos 7 sacos do lixo, dos grandes, com pinhas e ainda arranjámos uma boa pilha de lenha, já bem seca.

ATENÇÃO! Foto não aconselhada a pessoas sensíveis (mãe, não vejas!)


Bem, depois de vazio o trabalho custa mais. Começa a etapa de mandar aquela pia abaixo.




Um maço. Nunca tinha usado um maço na vida. E enquanto o Pedro endireitava o chão, com picareta e enxada, eu afeiçoei-me ao maço. E as minhas mãos também! ;)

Domingo é dia de descanso!



Dia 8 — O Chão, o chão...

O dia de sexta feira foi dedicado inteiramente a endireitar o chão do estábulo / anexo. Trabalho monótono e cansativo, porque a terra está muito rija: como teve animais está muito pisada e com uma grande camada de estrume seco e rijo em cima. Foi dia só de cavar, encher e esvaziar carros de mão.





Wednesday, November 9, 2016

Dia 7 — Visita dos Pais do Pedro


Ontem foi a vez dos pais do Pedro irem visitar a casa e a quinta. Chegaram com um carro carregado com 5 garrafões de água, brasas, pinhas, fogareiro e comida para uma semana. 
Depois de almoço o senhor António foi fazer lá a sua horta, com as couves e as favas que trouxe de Condeixa. 

Gostaram do verde, da paisagem e do sossego ao redor. Depois de lá estarmos esquecemos os tormentos do caminho que nos leva lá!

Monday, November 7, 2016

Dia 6 — Bíceps, Tríceps e Quadríceps, tudo gratuito!

Hoje chegámos com uma ideia bem vincada: começar finalmente a endireitar o chão do antigo estábulo, hoje chamado anexo. A palha e o estrume foi toda tirada durante a semana passada e agora falta o mais difícil: a terra bastante dura. Um cavava, o outro fazia desaparecer o monte de terra. O dia todo nestas danças. 




Um terço do estábulo já está! Hoje tomámos mais consciência do espaço, das divisões que podem surgir dali.

Entretanto conhecemos um nova vizinha: a dona Maria Gorete, que te por ali um terreno e andava a apanhar azeitona,chamou por mim para saber se era eu a nova dona da casa. Depois de nos apresentarmos emocionou-se imenso durante a nossa conversa. A dona Maria Gorete nasceu naquela casa, viveu ali muitos anos e pediu-me por tudo que não deitássemos o forno de lenha abaixo, que o reconstruíssemos. Foi uma conversa bonita, com as memórias dela a jorrar-lhe dos olhos.

Depois foi tempo, novamente, de cortar pernadas de figueira e de outras árvores que andavam por ali a tapar as vistas. A parte de trás da casa nem dava para ver, nem para contornar. Agora já está muito mais limpo! O resto da figueira também vai sair, mas com tempo, que os braços hoje não davam para mais.



E também ainda não foi hoje, mas temos um fato macaco armado em espantalho, pendurado nos ramos da figueira. Fica para a próxima! Por hoje já foi muito bom. Adivinha-se uma maravilhosa noite de sono.